Imagem do centro de Curitiba, na esquina das ruas Vicente Machado e Visconde de Nácar. Foto tirada no dia 11 de março de 2008. Bonito? Pois vendo a "lagoa" de perto descobri como os ratos são bons nadadores...
Infelizmente, a cena acontece sempre... Foto tirada do mesmo ângulo, em fevereiro de 2006.
quarta-feira, 26 de março de 2008
E quando chove...
Domingo de sol e britadeira
A pequena história que conto aqui não é exatamente nova, mas serve como outro bom exemplo de falta de respeito.
Proteção contra a poluição sonora em Curitiba? Não existe...
Os moradores dos arredores da Praça Osório foram surpreendidos numa bela e ensolarada manhã de domingo pelo forte barulho de britadeiras, picaretas, pás e martelos operando furiosamente por volta das 7 horas. Exatamente o que você acabou de ler: 7 horas "da madrugada" de um domingo!
A fachada do imóvel que abriga a Galeria do Comércio, a sinuca Ponto Zero e outros estabelecimentos comerciais, estava em reforma. Britadeiras, pás e picaretas passaram aquele final de semana empenhadas na tarefa de derrubar a marquise existente. Dado o barulho causado pela obra dominical, atônitos moradores entraram imediatamente em contato com serviço 190 da Polícia Militar. Mais de meia hora se passou e nenhum policiamento compareceu ao local. Por orientação da própria PM, o serviço 156, oferecido pela Prefeitura Municipal de Curitiba, também foi acionado.
É o conhecido jogo do "empurra para lá, empurra para cá". Ninguém assume a posição de competência para resolver este tipo de situação.
A reclamação foi registrada mas, se algum fiscal compareceu mesmo ao local, nada pôde ser percebido pelos moradores. A barulheira infernal da obra seguiu normalmente no decorrer daquela manhã. Não se sabe se foi ineficácia dos órgãos competentes ou pura falta de respeito aos ouvidos alheios... Acredito que as duas hipóteses são verdadeiras.
Pergunta tola: será que os responsáveis pela obra desconhecem a lei que dispõe sobre ruídos urbanos, proteção do bem estar e do sossego público?
Não tenho a menor dúvida que conhecem. But, who cares? Estamos no Brasil, não é mesmo?
* Fui o primeiro a entrar em contato com as "otoridades". Como nenhuma medida foi tomada e voltar a dormir seria impossível mesmo, enviei este causo para um colunista do jornal de maior tiragem da cidade. A sugestão de nota foi publicada no dia seguinte, praticamente na íntegra.
“Você fala com aidético?”
“Você fala com aidético?” não é uma pergunta, é uma armadilha.
Se você responde “Sim”, está na verdade dizendo: “Claro, pode vir me pedir dinheiro!”.
Se você responde “Não”, está dizendo: “Sou uma pessoa horrível e preconceituosa!”.
O que é melhor, deixar o pedinte se apoiar na janela do seu carro, como se vocês fossem melhores amigos, e perder o tempo dele (e possivelmente passar uma cantada no seu namorado, bem na sua cara – acredite, já me aconteceu), ou simplesmente passar por má pessoa e não se incomodar?
Eu costumo andar com a o vidro da janela levantado, o que normalmente resolve esse tipo de situação, mas o ser em questão (sim, é sempre o mesmo, sempre no mesmo local – uma esquina, quem diria!) não se dá por vencido. Ele fica tentando falar com você através do vidro como se não soubesse que, se você quisesse, poderia abrir a janela a qualquer momento. E é claro que fala alto, chamando a atenção de todos em volta, fazendo um pequeno escândalo e... obrigando você a abrir a janela!
Na minha modesta opinião, o treinamento desse cara foi fantástico. O “approach” já é uma armadilha, mas se não for o suficiente, o “follow-up” dá conta do recado.
Fico imaginando quanto ele leva pra casa no fim do dia. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir pedir dinheiro na esquina... afinal, se tem tanta gente fazendo, deve dar algum resultado.
A propósito, alguém sabe o que é aquele pontinho cor de rosa no meu armário?
Passe longe do vírus
Dizem por aí que tem uma variação leve do rotavírus solta na área. Parece que os sintomas não são tão arrasadores quanto os do original, mas recomendo: passe longe dele. Falo por experiência própria.
Update: Não era um vírus, era uma infecção no rim. Me deixou de molho duas semanas. Snif.
sexta-feira, 21 de março de 2008
O novo Ford Ka
O Ford Ka sempre foi um besourinho ridículo e lerdo, ainda por cima. Falo de boca cheia e com conhecimento de causa, afinal de contas, fui a infeliz proprietária de um. Econômico? Depende de como você dirige... e posso dizer que, certamente, não há carro no mundo que seja econômico se quem está atrás do volante sou eu.
Agora... cospe pra cima, cai na testa. Você já viu o novo ford Ka? É um carro completamente diferente, parece que só reutilizaram o nome. Lindinho, invocado, e ainda por cima... motor 1.6!!!
Só tenho uma coisa a dizer: Test-drive.
Na pior das hipóteses, posso acabar diminuindo meu financiamento...
Alguém por aí sabe por que é que as pessoas ficam apertando repetidamente o botão do elevador, como se assim ele viesse mais depressa? :s
sábado, 15 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
Cabelos brancos: mas de onde raios veio isso?
Post mais mulherzinha. Mas não tô nem aí.
Todos os dias a gente se olha no espelho, lava, seca, penteia os cabelos, verifica se o penteado ficou bom. Não conheço uma mulher que, ao longo do dia, por qualquer espelho que passe, não dê uma olhadinha pra ver se está tudo em ordem. É uma coisa natural.
E daí, acontece que de repente você está realizando aquele processo diário, tranqüilo, e eis que surge, praticamente no meio da testa, bem na frente, saindo da têmpora, no topo da cabeça (são tantos os lugares...), aquele fio de cabelo branco com dois palmos de comprimento. Pergunto: Como raios eu não vi isso aí antes? Acho bastante improvável que ele tenha estado sempre aí, crescendo devagarinho (o Word corrigiu, é devagarzinho, eu sei, mas eu quero devagarinho mesmo) (um fio de cabelo leva aproximadamente um ano para crescer um palmo), e eu nunca o tenha visto. Pense matematicamente: Quantas vezes você se olhou no espelho, mexeu, penteou, secou, prendeu os cabelos ao longo de um ano? Eu não sou cega. Todas as vezes que me olho no espelho, eu estou olhando. Então como foi que essa coisa apareceu aí?
Cientistas americanos dizem que a causa dos cabelos brancos está diretamente ligada a um gene, em cuja ausência não existe a produção de melanócitos (eles fabricam a melanina, substância que define a cor dos cabelos). O corpo humano não tem nenhuma fonte de melanina. Essa substância química é produzida em cada um dos folículos capilares, portanto cada fio de cabelo torna-se branco individualmente. O processo leva, em geral, vários anos para se estabelecer.
Os pais discordam dos cientistas. Para eles, a maior causa dos cabelos brancos são os filhos desobedientes, que trazem preocupações (não vejo a lógica científica disso, mas vai saber...).
Mas nada disso explica como ninguém viu aquele fiozinho se esgueirando na sua cabeça, até que um dia ele grita com todas as forças: “Oie! Estou aqui!!!”.
Segue a minha teoria: Eu acho que eles ficam brancos da noite para o dia. Assim, de repente. Não tem essa de ter nascido branquinho, floquinho de neve e tal, ir crescendo gradualmente e eu ser uma desmiolada que nunca percebeu que ele estava ali. Não quero saber o que dizem os cientistas, eles não viram o tamanho que o fio estava quando ficou branco (de repente, é óbvio) na minha cabeça.
A solução? Sei lá! Não dou a menor bola, se incomodar muito raspo a cabeça mesmo...
Para refletir: Se comer ave na ceia de ano novo dá azar porque cisca pra trás, o que é que acontece se a gente comer carne de siri?
quarta-feira, 5 de março de 2008
A sua liberdade termina onde a minha começa – um post um pouco mais educativo
Conforme descrito em meu post anterior, respeito anda em falta atualmente. Isto a gente já sabe, e tem sempre alguém com uma história nova só pra confirmar, no caso de haver alguma dúvida. Mas a coisa muda um pouco de figura quando a questão deixa de ser o incômodo, e passa a ser a saúde. Aí já acho que é caso de polícia.
Tenho uma vizinha que acha que vive na Idade Média. Sim, com certeza ela deve achar isso, pois vive cercada de ratos. Ratos modernos, claro, aqueles com asas. É quirerinha de manhã, pipoquinha à tarde. Não, eu não estou brincando. A ignorante faz pipoca para os pombos.
Aos menos informados, segue a parte educativa do post:
“Os pombos transmitem várias doenças ao homem, principalmente por vias respiratórias, por intermédio da inalação das fezes secas depositadas no chão, em beirais, em máquinas. Os piolhos dos pombos também transmitem doenças.
As principais doenças são a criptococose (micose profunda que pode gerar inflamação no cérebro e meninges), histoplasmose e ornitose (infecções pulmonares causadas por fungos), toxoplasmose (infecção celular que ataca vários órgãos, ocasionada por protozoários), salmonela (infecção intestinal ocasionada por bactérias em alimentos contaminados), psitacose (dor de cabeça, febre alta e calafrios ocasionados por vírus) e dermatites. Algumas dessas doenças, como a toxoplasmose, podem causar cegueira, aborto e até a morte.
Os pombos podem causar outros problemas. Suas fezes são acidas e corroem metais, descolorem pedras, apodrecem madeira e danificam superfícies pintadas. Suas penas entopem calhas e ralos.
A maneira correta de fazer a limpeza de locais com fezes dos pombos ou que tenham restos de ninhos, ovos e penas, é molhar o local com água e cloro e deixar no mínimo uma hora. No processo, convém utilizar calça, camisa de manga comprida, botas, luvas e máscara ou um pano úmido sobre o nariz e a boca.”
Criaturinhas aparentemente inofensivas, simbolizando a paz e o amor, os pombos são os ratos das cidades modernas. Os ratos, na Idade Média, transitavam livremente, desviando dos pés dos transeuntes, buscando restos de comida espalhados pelo chão. Disputavam, dentro das casas, os restos de comida com os animais de criação. Os pombos, nos dias atuais, agem exatamente da mesma maneira, com a mesma liberdade e, por que não, desenvoltura. São alimentados, aos bandos, por ignorantes #@%&*, sentados em bancos de praças ou mesmo em suas próprias casas. Essas pessoas, por falta de informação ou mesmo por puro descaso, contribuem para a disseminação das doenças transmitidas pelos pombos e suas pulgas.
Esse post não tem tom de piada. É realmente um grito de socorro para que as pessoas se conscientizem da importância de não alimentar esses animais, cuja superpopulação acarreta desequilíbrio populacional/ecológico, afetando outras espécies, além de transmitir sérias doenças ao homem.
Talvez uma solução para a diminuição populacional desses animais seja a união de suas caudas...
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O post que eu queria ter escrito
(post alternativo ao anterior)
Este post não foi escrito por mim. Cruzei com ele enquanto pesquisava para escrever um sobre o mesmo assunto, mas encontrei nele exatamente aquilo que queria dizer. Reproduzo na íntegra o texto publicado no http://www.gardenal.org/lounge/, que também é uma reprodução de um texto cujo original não consegui encontrar. Aproveito pra deixar a dica do blog. Visitem.
“Guerra, paz e pombos - Agora você também tem motivos pra odiar
(originalmente publicado no Zine Vanilli - não está mais no ar)
Não há melhor maneira de começar o dia do que com um cocô de pombo acertando sua blusa nova, já do lado do seu trabalho ou faculdade ou compromisso inadiável, quando a possibilidade de voltar em casa para trocar e largar a blusa ‘batizada’ na máquina de lavar simplesmente não existe.
Então você se lembra de quando era apenas uma criança e gostava de desenhar coisas bonitas:
- Tia, o que eu faço pra representar o ano novo?
- Desenha uma pombinha branca. É o símbolo da paz.
PAZ? Meu cú.
Uma rápida pesquisa no Google me dá 1.460 [em 13 de junho de 2006, data da publicação do texto] resultados para o termo “pomba branca”, assim mesmo, em português: associações religiosas, contos de Natal, cultos milenares orientais, histórias infantis, religiões afro-brasileiras e até presepada de publicitário fazendo um marketingzinho pessoal básico. “Pigeon blanc”, “White dove” – todos, de todas raças e credos, são unânimes em associar este animal com a paz – e nós, crias de grandes centros urbanos, estamos acostumados a conviver com esses ratos de asas: quem não se lembra de, pequenininho, dar milho aos pombos em alguma praça e sair correndo com medo da aglomeração de centenas dessas criaturas arrulhantes que voam histericamente atrás de um agradinho para o estômago?
Sim, pombos são chatos e não têm senso de direção algum – voam na sua direção, entram na sua frente, cagam de cima, podendo te acertar. Como se não bastasse essa praga urbana, nós, humanos, ainda incentivamos a superpopulação desse bicho escroto dando comidinha e propiciando um ambiente agradável para suas vidinhas inúteis. Inúteis sim: pombos, aves urbanas que se tornaram, não têm predadores naturais – assim, eles não apenas são inúteis para a cadeia alimentar, como se multiplicam cada vez mais. Por se alimentarem de lixo (sim, lixo que você joga), não eliminarem as toxinas propriamente de seus corpinhos rotundos e andarem em qualquer buraco (sim, já que você dá comida e lixo pra eles, eles estão aí, procurando abrigo), os pombos transmitem doenças para os humanos. São elas a criptococose, um fungo transmitido pelo ar, espalhado pelas fezes secas do bicho e que pode levar à pneumonia; histoplasmose, outro fungo; a bactéria da selmonelose, que causa dores, náuseas, febre, diarréia e pode até matar por desidratação; toxoplasmose e piolhos – alguns estudos chegam a relacionar pelo menos 50 doenças ao símbolo mundial da paz – mas você não liga, não é? Você mora num apartamento com esterilizador de ar, você vai para o trabalho de carro, você recebe tíquete-alimentação e não precisa catar lixo e andar no meio dos pombos. Você tem boa saúde e sabe que precisa estar muito debilitado para pegar qualquer doença dessas. Você dá milho e pedacinhos de pão pra eles e não paga um saco de pipoca de um real pro moleque que está com fome na esquina (eu sei, você não dá porque isso é assistencialismo barato que não vai tirar o garoto da rua, o garoto deveria estar na escola pública a essa hora e a mãe dele deveria receber assistência psicológica, mas isso foge das suas competências – e, por causa disso, você joga o resto do seu sanduíche para os pombos passarem em cima e os pobres comerem).
Aí você vê que o bicho é pior do que rato, porque te acerta de cima. Pra piorar, as estatísticas sobre a reprodução destes monstrinhos são terríveis: pombos começam a se reproduzir a partir dos sete meses de vida – sendo que vivem, em média, 15 anos, produzem 5 ninhadas por ano e, a cada ninhada, nascem dois filhotes. Quer dizer que em 14 anos de vida útil de uma pomba (se é que se pode chamar pombo de útil), em média, ela produz 140 filhotes!! E a gente aqui, incentivando, dando comidinha...
Como pode que eles se tornaram o símbolo da paz se, sozinhos, os pombos são responsáveis por pelo menos três das sete pragas que assolaram o Egito e agora assolam o mundo moderno (são elas: piolhos, peste e saraivada, que no Egito era de granizo, mas a gente convive diariamente com as revoadas de pombos e chuvas de cocô de pombo por todos os cantos)?
Bem, isso é culpa da mesma Igreja Católica que quer que você acredite num homem que nasceu de uma virgem, que divulga a historinha do homem que salvou todas as espécies animais de um dilúvio, colocando casais de todas as espécies existentes na Terra num barco por 40 dias e 40 noites enquanto chovia torrencialmente e tudo era inundado.
Vamos supor que isso seja verdade. Noé foi malandro e mandou logo uma pomba pra fora, pra descobrir se o dilúvio havia terminado – e, surpresa, a singela pombinha branca voltou com um ramo de oliveira, mostrando a todos que o mundo estava a salvo do aguaceiro. Provavelmente era ela que estava contaminando os outros bichos da arca, tinha mais é que correr o risco mesmo. Aí eu fico pensando se a pomba tivesse morrido, como tudo seria muito pior e elas seriam as mártires do mundo católico, tão respeitadas como as vacas indianas – aí então iniciativas como a da Prefeitura de Paris, de autorizar pessoas a matar pombos para o bem estar social e equilibrar o ecossistema urbano, não seriam nem cogitadas.
Pois é, sabia que os franceses autorizaram a população a matar pombos pra vender no açougue? O Ibama, no entanto, está atrasadíssimo nesta questão: pombos brasileiros são considerados animais domésticos (!!!), e ações que provoquem a morte ou danos físicos aos pombos são consideradas crime inafiançável e podem dar 5 anos de cadeia. 5 ANOS! Por tentar salvar a espécie humana de um desastre ecológico! Que grande absurdo!
Então agora que você já entende a cultura urbana do pombo, já sabe por que você alimenta pombos, porque existem tantas pessoas doentes na rua e, principal, já sabe que boa parte do que você acreditou por tanto tempo é mentira, está na hora de dar um basta nisso. Se preocupar com a Amazônia é legal, mas fazer algo pela cidade onde você mora é melhor ainda, incita a cidadania e, a médio prazo, produz cidadãos mais educados e conscientes – deste jeito, acredito que a Amazônia será salva do mesmo jeito; então, amigos, não deixemos que essas aves mal educadas se multipliquem. Podemos vedar os cantinhos onde eles se aninham, objetos para impedir que se estabeleçam em peitorais de janelas, parar de jogar lixo na rua, transformar o ambiente urbano em um lugar hostil, até desencapar fios de alta tensão está valendo (hum, ok, melhor não). Desde que eles voltem para seu habitat natural ou que morram, está ótimo – e quanto mais guerreiros nesta cruzada anti-pombos eu conseguir arregimentar, melhor. Pra mim, acabar com a infestação deste animal na minha vida é mais que uma questão de saúde – é uma questão de honra.”
domingo, 2 de março de 2008
Respeito é bom, sim. E eu gosto, tá?
Viver em apartamento é, sem dúvida, uma contradição por si só. Sim, você está em casa, mas não, você não pode fazer o que quiser. Se por um lado a vida em comunidade traz segurança, pelo outro ela acaba com a privacidade. Sempre tem alguém sabendo que horas você saiu ou chegou, quem entrou ou saiu da sua casa e, em casos extremos, se você peidou ou não. Pelo barulho. E pelo cheiro. No elevador, então, nem se fala...
Mas o pior da vida em apartamento é a falta de respeito. Dos outros, claro. A gente nunca faz nada que não deve. São sempre os outros que estão errados.
Algumas questões são, na minha modesta opinião, discutíveis. Cachorro, por exemplo: alguns são insuportáveis. Latem o dia inteiro, arranham a porta, fazem xixi onde bem entendem, atacam pobres desavisados. Esses, acredito, não deveriam ser permitidos em apartamentos. Deviam viver em casas com grandes jardins, muita grama, muitas árvores, muito espaço para correr. Onde só incomodassem os donos. Outros, porém, são simpáticos, silenciosos, cheirosos, comportados e, principalmente, adestrados. Daqueles que até quem não gosta, gosta. Esses, coisinhas lindas, fofas, queridas e amassáveis, são extremamente bem-vindos em apartamentos. Pelo menos, no meu. E no dos meus vizinhos, por mim. Inclusive, esses cachorros são até preferíveis a alguns (vide abaixo) humanos.
Outra questão que sempre provoca discussão é o barulho. Além dos latidos, quero dizer. Barulho aquele causado por opção, e que poderia ser evitado. Reforma, por exemplo, é uma situação complicada. Vai incomodar os vizinhos? É claro que vai. Mas muitas vezes é necessária, e mesmo quando não é, não é algo que se faça todos os dias, e tem um propósito definido. É uma melhoria, que agrega valor a um bem. E isso, sem contar que nem aquele que está fazendo gosta de fazer!
Agora, tem certas coisas que são, no mínimo, desrespeitosas. Festas barulhentas até altas horas da noite (ou até mesmo cedo demais), discussões aos berros (tá certo, essas também são complicadas, mas eu é que não quero ouvir!), música alta. Meu vizinho de baixo tem um home theater. Legal, né? 5.1, sub woofer, gravão no máximo. E você acha que ele se preocupa se o volume está incomodando o vizinho? Rá! Na última sexta-feira à noite, assisti filme por tabela até as 2 da manhã. E era de ação, posso garantir. Até aí... tá, não me incomodei tanto, até porque ele não faz isso com freqüência, é até meio raro (que desperdício de dinheiro). E aqui entra aquele parêntese do Ale: “Ah claro, então eu vou assaltar bancos, mas só de vez em quando...”. Guardadas as devidas proporções, a idéia é, sim, a mesma. Mas não era nem isso que eu queria dizer. O problema foi que ele teve a mesma idéia no dia seguinte. Ou seja, sábado à tarde... e durante a tarde toda (sei lá quantos filmes eram)! E tive a nítida impressão de que o som estava ainda mais alto! Ok, é nessa hora que você me pergunta: “Tá, mas então por que raios você não foi bater lá e pedir para abaixar o som?”. Deveras pertinente sua pergunta, inclusive. A questão é que, quando nesta situação, você sempre acha que daqui a uns 10 minutinhos (ou minutozinhos, para os mais chatos... hehehe) o filme vai terminar. Principalmente quando a trilha é épica o filme todo! Sabe aquela música de fim de filme? Pois então! Acho que a trilha era inteira assim!
Bom... resultado: lá pelas 5 horas da tarde, eu com uma dor de cabeça de lascar, resolvi tentar dormir um pouco. Afinal, o HT do indivíduo está na sala, e é claro que no quarto eu vou conseguir um pouco de silêncio. Ahã. Depois de 15 minutos da mais agonizante tortura, resolvi tomar um banho. Se, ao final do banho, a barulheira ainda não tivesse acabado, eu iria sair de casa.
Pronto! Viu? Resolvi meu problema de falta de respeito do vizinho de baixo saindo da minha própria casa! Ótimo, não?
Na verdade, a pior parte de toda essa história é que eu ainda não descobri como foi que o Chaves virou o Chapolin Colorado!